Se tem algo que virou uma chave na minha carreira, foi aprender a lidar com conflito.
Recentemente, participei de um treinamento aqui no Nubank que ampliou ainda mais essa visão, e na hora senti aquela vontade de compartilhar aqui com vocês. Afinal, a gente tá junto nessa jornada, né?
Compreender a diferença fundamental entre simplesmente discordar de alguém e realmente entrar em conflito muda completamente a forma como nos relacionamos, trabalhamos em equipe e, principalmente, como lideramos (ou somos liderados!).
Discordância: O Campo da Razão (e do Crescimento)
A discordância nasce no campo racional. Pense nela como uma divergência construtiva: duas pessoas desejam o mesmo resultado, o mesmo objetivo final, mas enxergam caminhos diferentes para chegar lá.
A direção é clara, mas os meios ainda estão em aberto.
É aquele momento onde você defende uma solução, seu colega defende outra, mas no fundo, ambos querem que o projeto dê certo. Mesmo que o seu caminho não seja o escolhido no final, você ainda “ganha” quando o resultado é alcançado.
Por que isso é saudável? Porque a discordância bem conduzida promove crescimento, estimula a inovação e gera aprendizado coletivo. Ela nos força a pensar melhor na nossa própria ideia.
Conflito: O Campo da Emoção (e do Desgaste)
O conflito começa quando a conversa sai do racional e entra no emocional. Deixa de ser “sobre a ideia” e, perigosamente, passa a ser “sobre a pessoa”.
Geralmente, ele costuma nascer de:
- Mal-entendidos;
- Ruídos de comunicação;
- Ou até feridas antigas não resolvidas (aquela birra que a gente arrasta).
O custo é altíssimo: é energia drenada, tempo perdido e relações desgastadas. A maioria dos conflitos começa quando nossas necessidades sociais são violadas. Quando sentimos que não fomos ouvidos, respeitados ou valorizados. É o ego ferido falando mais alto que o objetivo.
Como resolver conflitos com maturidade

“Ok, entendi a diferença, mas e quando o bicho pega e o conflito aparece?”
Aqui vão algumas práticas simples que fazem toda a diferença para trazer a conversa de volta ao racional e resolver a situação com maturidade
- Não Guarde, Fale: Se algo te incomodou, comunique. Explique como você interpretou a mensagem/ação do outro. Isso evita o mal-entendido.
- Estabeleça Acordos Claros: O que esperamos um do outro? Qual o objetivo final que nos une? Relembrar isso puxa a conversa para o campo da razão.
- Ouça de Verdade (Escuta Ativa): Não ouça para responder. Ouça para entender o ponto de vista do outro. Dê espaço para ele se explicar.
- Assuma Seus Possíveis Erros: A humildade desarma. Reconhecer sua parte na confusão é um passo gigante para a solução.
- Tenha Empatia e Busque Perspectivas: Tente calçar o sapato da outra pessoa. Por que ela agiu daquele jeito?
Como disse o mestre Stephen Covey: “Procure primeiro entender, depois ser entendido.” Essa frase é ouro puro em momentos de tensão.
Perguntas para reflexão
- Você tem levado as situações mais para o campo racional (o que resolve), ou para o emocional (o que desgasta)?
- Como andam as suas relações no trabalho? Você tem estimulado a discordância saudável?
Fechando o pensamento
Líderes (e pessoas!) maduras garantem que a equipe esteja alinhada aos objetivos finais e estimulam ativamente as discordâncias saudáveis como uma ferramenta de crescimento.
Discordar é poderoso. Nos obriga a questionar crenças, ampliar horizontes e encontrar novas e melhores maneiras de fazer as coisas.
O conflito destrói. A discordância bem conduzida, constrói.
Pensem nisso! E até a próxima conversa! 😉